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ILHA ANCHIETA


Localizada a 600 metros do continente, a Ilha Anchieta reúne em sua paisagem componentes contrastantes. A beleza das praias de águas límpidas, o antigo presídio e o Projeto Tamar são as principais atrações do local, que na alta temporada recebe turistas diariamente. Além disso, e um dos fatores mais importantes para torná-la um verdadeiro paraíso ecológico, em 1977 foi criado o Parque Estadual da Ilha Anchieta, abrangendo quase mil hectares de Mata Atlântica, que foi repovoada com animais silvestres, com o objetivo maior de preservar a fauna e a flora originais do local.

Apesar da pesca ser proibida, as sete praias da ilha, todas belas e selvagens, são ideais para os praticantes de mergulho, pois suas águas oferecem uma boa visibilidade para observação das várias espécies marinhas que habitam a região.

O presídio, inaugurado em 1908, recebeu presos políticos da ditadura Vargas na década de 30. Em 1952, já com presos comuns, houve uma rebelião (a maior evasão de detentos da história penitenciária mundial), o que provocou seu fechamento. Desativado, o presídio passou a ser o ponto turístico mais visitado de Ubatuba. Para conhecer as ruínas e outras maravilhas da ilha, como a Praia do Sul, basta embarcar nas escunas que parte da marina do Saco da Ribeira ou da Praia do Itaguá, que oferecem um bom serviço a preços acessíveis.

Dentre todas as belezas, ainda existe o Projeto Tamar, que encanta pelo belo trabalho de proteção às tartarugas. Estes animais marinhos vivem em tanques e recebem cuidados de técnicos especializados.

Visitar a Ilha Anchieta é antes de tudo um aprendizado. Vale a pena conferir!

História da Ilha


Habitada por índios, dentre os quais, Cunhambebe, desde que se tem conhecimento, a Ilha Anchieta recebeu os primeiros colonizadores ingleses, franceses e holandeses aproximadamente no ano de 1600.

Suspeita-se que por volta de 1803 começaram as primeiras construções do que mais tarde viria a ser o presídio da então Ilha dos Porcos. Um pequeno destacamento do exército português foi enviado à ilha para tomar conta das edificações.

Em 1850 a ilha serviu de base naval para cruzeiros ingleses encarregados da caça aos navios negreiros.

No início de 1870 a ilha já estava bastante povoada e tinha plantações de café, cana e até engenhos de pinga.

Em 1905 a Ilha dos Porcos é escolhida para construção de uma colônia penal pelo Presidente Afonso Augusto Moreira Pena e pelo Governador Jorge Tibiriçá (Presidente do Estado).

Em 14 de Fevereiro de 1907 é assinado e decretado o regulamento do presídio e em Abril começam a chegar os primeiros detentos. As atividades continuaram até 1914, quando, por motivos políticos, o presídio foi desativado e transferido para Taubaté. Apenas em 1928 a colônia penal da Ilha Anchieta foi reativada, desta vez com mais importância dentro do cenário penitenciário nacional. Nesse rumo, é transformada em Presídio Político no ano de 1931.

Em 1934 o Presidente Getúlio Vargas, através de seu interventor Armando Sales de Oliveira, altera o nome da ilha para Anchieta.

No início da década de 40, acontecem reformas nas edificações e um represamento de água potável para a criação do Instituto Correcional da Ilha Anchieta, quem em 1943 já abrigava 273 presos e serviu de presídio para japoneses do movimento Xindô-Remei.

Em 1952 acontece a Grande Fuga. Sob a liderança de Pereira Lima, Faria Lima, Diabo Loiro e China, 107 presos fogem do presídio, abrindo caminho à balas pela praia num confronto que matou 8 soldados e 4 funcionários penitenciários. Foi a maior evasão de detentos da História carcerária mundial. Relatos de presos se entregando e, mesmo assim, sendo massacrados até a morte e de presos fiéis ao presídio lutando ao lado dos policiais são encontrados até hoje em obras que tratam do assunto.

Em 1955 o presídio é desativado definitivamente e apenas em 1969, por um projeto chamado FUMEST, suas ruínas são transformadas em atração turística pelo Governador Abreu Sodre. Em 1984 o Governador Franco Montoro decreta o local Parque Estadual da Ilha Anchieta. Até hoje, a ilha é o maior pólo turístico de Ubatuba. Em 1999, passou por uma reforma que recuperou instalações de infra-estrutura turística.

Parque Estadual


Um parque estadual é uma área geograficamente delimitada, dotada de atributos naturais excepcionais, objeto de preservação permanente. Os parques estaduais destinam-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos, cosntituindo-se bens do Estado e destinados ao uso do povo.

O objetivo principal de um parque estadual é a preservação dos ecossistemas e da diversidade genética. No caso do parque da Ilha Anchieta, hoje integrado à rede de Unidades de Conservação administrada pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo através do Instituto Florestal, a FUNDART apóia como pode seus eventos e contribui com estudos sobre o local.

O parque ocupa a totalidade da ilha e, além de proteger as riquezas naturais, preserva o rico patrimônio histórico-cultural representado pelas ruínasdo presídio e suas instalações.

Ao visitar a parte histórica do parque, o visitante contribui com uma pequena taxa de ingresso, destinada à conservação e melhoria da infra-estrutura e visitação.

Através de duas trilhas principais, a Trilha da Prainha e a Trilha da Praia do Sul, o visitante percorre a Mata Atlântica em seu formato original. A flora variada inclui árvores altas como figueiras, capixinguins, guapuruvus e outras como ipês, tapiás, palmiteiros e brajaúvas, todas com troncos povoados por orquídeas, samambaias e cipós.

Diversos animais encontram abrigo e alimento nessa mata, como capivaras, pacas, cotias, macacos-prego, sagüis, quatis, gambás, lagartos, preguiças e tatus. Levantamentos científicos constataram a presença de mais de 50 espécies de aves, entre as quais, sabiás, juritis, tangarás, tiês-sangue, coleirinhas, saíras, bem-te-vís, beija-flores, atobás e gaivotas.

Fonte: FUNDART